Ao
formar uma equipe de futsal visando o trabalho de uma temporada,
o técnico deve se preocupar não só em preencher as posições em
quadra ou deficiências da equipe, mas também em atribuir funções
de acordo
com as habilidades/qualidades de cada um dos atletas a sua
disposição.
As funções a serem
desempenhadas pelos atletas independem do esquema tático adotado
pela equipe, alem de nem sempre corresponder às posições em
quadra. As funções a serem desempenhadas e as características do
jogador para cada funções são as seguintes:
Marcador
é aquele jogador que reúne
as melhores condições de antecipação e marcação, às vezes
coincide o fato de que seja o fixo da equipe. Possui bom
senso de cobertura, sabe utilizar bem o corpo e geralmente
tem bom nível de força física;
Passador
geralmente é o jogador de
melhor passe da equipe, dotado de uma boa visão de jogo e
precisão nos lançamentos de longa distância.
Muitas vezes é o segundo
jogador mais habilidoso da equipe, mas por ter um excelente
senso de marcação, joga com segundo defensor cobrindo o fixo
(marcador);
Armador
a maioria das vezes é o
jogador mais rápido e habilidoso da equipe;
possuidor de uma boa
velocidade de raciocínio, quando jovem geralmente tem
dificuldade de jogar para a equipe, sendo um jogador
experiente tende a
buscar o jogo coletivo sem anular sua habilidade
natural;
Finalizador
é jogador com o talento
natural para finalizar em gol. Antevê como poucos os lances
que poderão resultar em gol.
Dotado de boa técnica e
habilidade, tem na velocidade de reação e antecipação sua
principal virtude físico-tática.
Para que entendamos a
afirmação anterior que as funções nem sempre correspondem às
posições em quadra, devemos conhecer as definições das posições
dos atletas em quadra. Diversos autores tentam definir as
posições no futsal, pessoalmente adotamos as definições de VOSER
(2001) para as mesmas:
Goleiro -
"Este é o responsável por defender e impedir
que a bola ultrapasse a linha de gol. (...) As ultimas
regras lhe dão a possibilidade de lançar a bola com as mãos
diretamente para o outro lado da quadra. (...) observa-se
que o goleiro de futsal deverá possuir também as mesmas
qualidades técnicas dos demais jogadores de linha".
Fixo -
"Sua função básica é defensiva, porém deve
saber o momento exato participar de algumas manobras
ofensivas, como organizador, abrindo espaços para os
companheiros e chegando como homem surpresa para o arremate
a gol. Este jogador devera também orientar os colegas
durante a marcação e ter um bom senso de cobertura".
Alas (direito e esquerdo)
– "São os responsáveis pela
construção das jogadas e tem a tarefa de marcar e atacar".
Pivô -
"Este é o responsável pela distribuição das
jogadas e, quando acionado, exerce as ações de finalização e
de abrir espaços na área adversária para a penetração de
seus companheiros. A sua característica básica é saber jogar
de costas para o gol".
O técnico de futsal não deve
se ater a estas conceituações, na hora de atribuir as funções em
quadra. Muitas vezes um jogador apesar de jogar numa determinada
posição, exerce como maior eficiência uma função em quadra que
aparentemente não seria a sua, podemos citar o exemplo de um ala
ser o marcador ao invés do fixo, que seria a escolha natural. Ou
um dos alas exercer a função de finalizador da equipe ao invés
do pivô, que no caso em estudo rende mais como armador das
jogadas da equipe.
A função de passador
geralmente é exercida por um dos alas ou pelo fixo, quando este
é detentor de um bom passe de media e longa distancia, alem de
bom nível de habilidade.
O trabalho de atribuição de
funções é mais usual em equipes cujos jogadores não são
experientes, pouco experientes ou se tem pouco tempo para
treinos táticos antes da competição alvo da temporada. A
atribuição de funções não exime os jogadores de executar (e bem)
qualquer uma das funções descritas anteriormente, mesmo que esta
não seja a que lhe foi atribuída pelo técnico. Para que qualquer
um da equipe possa desempenhar as funções de outro jogador em
quadra o trabalho de treinamento dos fundamentos do futsal
(passe, drible, condução, chute etc.) é primordial, mesmo para
aqueles jogadores mais experientes do elenco. Este treinamento
parece fácil, mas quando é realizado muitas vezes o numero de
erros na sua execução são tantos, que muitos poderão achar
tratar-se de um jogador qualquer amador.
Espero que este artigo sirva
para a reflexão acerca da formação de equipes de futsal, pois
muitas vezes não se necessita dos atletas consagrados e sim
daqueles que reúnem as qualidades para serem trabalhadas nas
funções que desempenharão no sistema(s) tático(s) pretendido(s).
Bibliografia consultada:
VOSER, Rogério da
Cunha. Futsal: princípios técnicos e táticos. Rio
de Janeiro, Editora Sprint, 2001.