A capacidade cardiorrespiratória
é de fundamental importância para as atividades desportivas
independentemente do seu caráter (recreativo ou de rendimento).
O sistema cardiorrespiratório é a essência do metabolismo
humano, predominantemente aeróbico, presente na maioria das
modalidades desportivas, quando não no momento da execução do
gesto desportivo, insere-se na recuperação do esforço
desprendido.
A utilização ou não do
metabolismo aeróbico
depende da fonte energética solicitada na execução do gesto
desportivo característico da modalidade, da duração do esforço
para a execução e da duração da competição (prova ou partida).
Estes requisitos farão que o organismo solicite prioritariamente
a via metabólica (fonte energética) necessária, podendo se a
fosfagênica (ATP-CP), a glicolitica anaeróbica lática ou a
aeróbica.
Adaptado de Mc ARDLE, KATCH E
KATCH, 1998.
Metabolicamente o futsal pode
ser caracterizado
como uma modalidade de solicitação mista, mas com
predominância anaeróbica lática. Fato que pode ser comprovado
pela elevada concentração de acido lático na corrente sanguínea
dos atletas, algo em torno de 4 a 6mmol, após uma partida. Porém
muitos técnicos e preparadores físicos atribuem ao futsal um
caráter predominante aeróbico pela primazia dada ao treino
aeróbico por muitos deles no período de preparação. Mas isto
ocorre pelo desconhecimento da real razão do porque de se
trabalhar a capacidade cardiorrespiratória, no período de
pré-temporada no futsal.
O treinamento de ênfase
cardiorrespiratória é realizado com
vista ao aprimoramento da capacidade do organismo de
recuperação das reservas energéticas principalmente as de
glicogênio, fosfato de creatina (creatinofosfato) e ATP. Além da
reciclagem do acido lático (lactato) no fígado para síntese de
glicogênio, com vistas à utilização para produção do ATP.
Avaliação da capacidade
cardiorrespiratória
Existem diversos testes e
protocolos para predição da capacidade cardiorrespiratória,
utilizando meios variados para tal fim. Os mais comuns para
esportes coletivos são os de pista, bicicleta e esteira.
Atualmente podemos encontrar também os laboratoriais, empregados
nos grandes centros esportivos dotados de laboratórios de
fisiologia do exercício. Dentre estes podemos destacar os de
esteira ou bicicleta com o uso do espirômetro, para medição e
analise dos gases expirados pelos avaliados. As classificações
dos resultados obtidos nos testes variam de autor para autor,
mas guardam entre si semelhanças classificatórias. Marins e
GIANNICHI (1998), citam o teste de 2400 metros de Cooper, como
perfeitamente adequado a atletas, principalmente para
modalidades de jogos com bola.
A principal unidade para
mensuração da capacidade cardiorrespiratória é o VO2 max.,
autores como Pollock e Wilmore afirmam não ser possível
estabelecer um nível especifico da capacidade aeróbica para fins
de saúde. Se para a promoção de saúde que é menos complexa, não
podemos estabelecer um nível, imagine para um desporto de
solicitação metabólica próxima dos limites dos sistemas
funcionais do individuo (atleta). Alguns fisiologistas entre
eles o doutor Turíbio Leite afirmam que a limitação do VO2 max.
parece ser o volume sistólico (volume ejetado pelo coração) na
maioria dos indivíduos. "O valor do VO2 max. expressa
quantitativamente a capacidade individual para ressíntese
aeróbica do ATP. (...) A capacidade para alcançar um VO2 max.
alto comporta um significado fisiológico importante além do seu
papel em apoio do metabolismo energético constante, pois uma
alta capacidade aeróbica requer a resposta integrada e de alto
nível dos sistemas fisiológicos de apoio (os principais fatores
fisiológicos implicados são ventilação pulmonar, concentração de
hemoglobina, volume sanguíneo e fluxo sanguíneo periférico, além
do debito cardíaco.)" (Mc ARDLE, KATCH E KATCH, 1998).
A avaliação da capacidade
cardiorrespiratória no futsal
Devido à ausência de estudo e
testes específicos para avaliação da capacidade aeróbica no
futsal, convencionou-se o a aplicação do teste de Cooper (12
minutos) e similares com o uso de tabelas de laboratórios de
fisiologia do exercício nacionais e estrangeiros com maior
ênfase para os últimos. Mas mesmo com o uso das tabelas
continuamos sem uma referencia para predizer o que seria um
nível ideal de capacidade cardiorrespiratória para os atletas de
futsal. Uma maneira fácil de fazer a avaliação do VO2 max. dos
atletas seria avaliá-los no inicio das atividades de preparação
para a temporada e depois comparar os valores com os obtidos em
uma posterior avaliação no final do período preparatório,
buscando sempre encontrar um aumento dos valores encontrados nas
duas avaliações.
Mas o principal obstáculo para
obtenção de elevados níveis de aptidão cardiorrespiratória, tem
sido a não observância do desenvolvimento desta no período
correto do processo de maturação do organismo do atleta. Muitas
vezes os profissionais responsáveis pela iniciação só se
preocupam no que tange os aspectos técnicos e esquecem os
físicos. A faixa etária ideal para que comecemos a trabalhar a
capacidade aeróbica é entre 16 a 20 anos, segundo MELLEROWICZ e
MELLER (1987) nos homens ela atinge seu valor máximo entre 18 e
22 anos e 16 a 20 anos nas mulheres. O correto seria
buscamos o desenvolvimento da capacidade cardiorrespiratória dos
atletas nessas faixas etárias, alcançarmos os valore máximos e
só nos preocuparmos em mantê-las no decorrer da carreira
desportiva deles. Ao invés do que normalmente ocorre no nosso
país que só nos preocupamos com a capacidade aeróbica de um dado
atleta do grupo quando o mesmo não se adapta a uma filosofia
tática que o obriga a desempenhar as suas máximas condições
fisiológicas.
Não esperto que este panorama
mude em um curto espaço de tempo, mas espero com este artigo
suscitar questionamentos dos profissionais responsáveis pela
preparação física dos salonistas.
Bibliografia consultada:
FERNANDES, José Luis.
Treinamento desportivo: procedimentos – organizações
- métodos. E.P.U. São Paulo, 1981.
GHORAYEB, Nabil.
BARROS NETO, Turíbio Leite. O Exercício: preparação
fisiológica, avaliação médica, aspectos especiais e
preventivos. Editora Atheneu, São Paulo, 1999.
McARDLE, William D.
KATCH, Frank I. KATCH, Victor L. Fisiologia humana –
energia, nutrição e desempenho humano. Editora
Guanabara Koogan. Rio de Janeiro. 1998. 4ª edição.
MELLEROWICZ, H. MELLER,
W. Treinamento físico: bases e princípios
fisiológicos. E.P.U. São Paulo. 1987. 2ª edição.
POLLOCK, Michael L.
WILMORE,
Jack H. Exercícios na saúde e na doença –
avaliação e prescrição para prevenção e reabilitação.
Editora medica e cientifica, Rio de janeiro, 1993. 2ª
edição.